Coronavírus - Um chamado para nossa consciência

Escrevo esse texto da sala na minha casa em Sydney, Austrália. Faz alguns dias que está difícil achar tempo, foco e inspiração para trabalhar para o Mude, esse projeto que é mais do que um negócio para mim, mas é sim um grande propósito de vida.  

Gravidez Hoje é meu aniversário de 33 anos, e estou no nono mês de gravidez do meu segundo bebê. Minha filha dorme na quarto, o sono daqueles que não sabem o que está acontecendo no mundo. Mas será mesmo que ela não sabe? O inimaginável aconteceu. O mundo está parando. Cada um de nós está passando por provas e desafios. Muitos de nós estamos vivendo no medo. Mas não é o vírus que está criando o medo, o medo já estava dentro da gente. O coronavírus e o impacto que ele está tendo no mundo está trazendo nosso medo para a superfície. Uns temem por sua saúde, outros se apavoram com a solidão ou com a ideia de não ter a liberdade de poder ir e vir; outros se preocupam com a recessão econômica, outro tem medo do desconhecido. 

Qual é o seu maior medo? 

O meu sempre foi perder minha família, as pessoas que eu amo. E foi justamente isso que o virus me trouxe, a ausência da minha mãe no nascimento do meu filho. As fronteiras da Austrália se fecharam e agora, ela está aí no Brasil e nós estamos aqui, a espera do momento que esse neném resolver nascer nessa Terra. 

O medo pode ser demonstrado de duas maneira: o pânico é uma face do medo, como vemos nas pessoas que saem descontrolados em busca de comprar todos os suprimentos que (acham) que precisam, na tentativa de ter de volta algum controle sobre a situação que estamos passando. A outra face do medo é a negação do poder da pandemia, quem ainda acredita que tudo é apenas uma tempestade em um copo d'água. 

A verdade está no meio, esse vírus realmente é mais contagioso do que o vírus da gripe e tem 3% de chance de matar quem o contrai, então ele impõe sim um perigo para a humidade. Mas as chances de sobreviver é significativa alta e, então nossa resposta para ele merece um equilíbrio. Sim, nós temos que tomar medidas para impedir a contaminação, mas ao mesmo tempo precisamos fazer o possível para nos manter calmos e positivos.

Assim, temos duas maneiras de responder a situação que o coronavírus está causando:

com medo ou com amor.

O medo diminui nosso sistema imunológico e aumenta nossa chance de contágio, sendo um sentimento forte, o medo tem um grande poder sobre nós. O que quer que temos medo, de certa maneira acabamos atraindo.

A definição de medo é: “falsa evidência que parece real”. Quando você decide não viver no medo e acredita que só o amor é real, você vive a vibração positiva do amor.

Então como escolhemos viver no amor em época de pandemia?

O conceito de amor pode ser encontrado no momento de consciência, no momento presente, e essa consciência é possível pela prática de meditação. No momento que estamos meditando, conseguimos ver nossas vidas com olhos de terceiros, como se estivéssemos em um filme e somos capazes de apenas observar nossos pensamentos, ao invés de ser guiados por eles. Muitos dos nossos pensamentos são de medo, criados pelo nosso ego.

Quando conseguimos sair da vibração do medo, e acreditar no amor que existe dentro da gente, nós estamos vivendo no nosso verdadeiro poder. 

Conseguir estar no nosso estado de consciência 100% do tempo é uma tarefa difícil, mas se fizermos disso a nossa intenção conseguiremos ficar mais atentos a nossa real consciência mais frequentemente, e tempo o suficiente para isso ser a luz no nosso dia-a-dia. 

O medo assim como o vírus, é contagioso.

O ego pensa “se aquela pessoa está preocupada, então deve haver algo que eu também preciso me preocupar”. Estamos vendo pessoas se desesperando comprando de tudo que precisam - e o que não precisam -  e logo outras pessoas começam a fazer igual, veja o contágio do medo. Com medo, nós nos tornamos robôs, com medo nós não pensamos por nós mesmos; já em estado de consciência, nós conseguimos escolher como queremos viver essa situação atual: com medo ou com amor. 

Quando você se observa, você pode perceber se está caindo na vibração baixa do medo e pode fazer algo para mudar. Mas quando você não consegue parar para se ouvir, para se ver, você não terá os recursos necessários para sair do caos atual que vivemos. 

O medo faz a gente acreditar que somos fracos e vítimas das circunstâncias externas, e por isso estamos fadados a sermos vítimas de doenças, crises econômicas e tudo de negativo. Nosso ego vem criando esse cenários de medo, de perda, de perigo na nossa mente por milhares de anos, ele é poderoso e adora formular catástrofes. Mas a sua alma sabe que você é um ser de potencial ilimitado e com o poder de criar o que você quiser, e com a capacidade de criar bem estar e abundância independente do que você ouve e vê em sua volta.

Nesse momento nós temos a oportunidade de fazer algo diferente. Sua mente é poderosa e quando escolhe pensamentos de amor, ela pode criar milagres. Quando nossa mente está com medo, ela está desconectada do amor e da sabedoria divina.

O paradoxo desses tempos, e dos tempos que a raça humana se encontra a caminho da sua própria destruição, é que podemos criar oportunidade para a nossa evolução. 

Com pensamentos de amor, nós podemos ver que os desafios nos forçam a olhar para nós mesmos e achar recursos que não sabíamos que existiam até que fossemos desafiados.

Essa é a essência da transformação, da mudança. A mudança não vem em tempos fáceis, ela acontece no meio de perdas e desafios. 

Então agora eu queria compartilhar com você a boa notícia sobre o coronavírus. Sim, eu disse, boa notícia.

Quando olhamos através das lentes do amor, e não do medo, os presentes que nos são dados por essa situação se tornam aparentes. Essa é uma oportunidade de cura para a humanidade.

O medo tem que ser trazido para a luz, para que seja transformado. E é só quando colocamos luz nos nossos medos, dando atenção para ele, é que conseguimos encará-lo e mudar.

De alguma maneira, todos nós estamos encarando o medo da nossa morte, da morte das pessoas que amamos. Precisamos aceitar e entender que todos nós vamos sim vamos morrer um dia e não temos nenhum controle sobre quando isso vai acontecer, com ou sem coronavírus. 

Assim, é hora de nos perguntar: você realmente ama a sua vida e é feliz por tudo aquilo que te rodeia? 

Em livros e pesquisas sobre os pensamentos daqueles que estão em tratamento paliativos próximos ao fim da sua vida terrestre, essas são os 5 arrependimentos mais comuns:

  1. Eu queria ter tido a coragem de viver uma vida em que eu fosse mais verdadeiro comigo mesmo, e me importasse menos com o que os outros esperavam de mim.
  2. Eu queria não ter trabalhado tanto.
  3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.
  4. Eu queria ter mantido mais contato com meus amigos.
  5. Eu queria ter me deixado ser mais feliz.

Quando estamos olhando para o fim da nossa vida, é muito comum refletir o que gostaríamos de ter feito diferente.

O coronavírus é uma oportunidade de rever nossos arrependimentos e mudar o curso da nossa vida em relação aos nossos medos e focar no amor, e no que a gente realmente valoriza. 

Outra característica dessa pandemia é o pensamento que estamos todos juntos nesse movimento. Nenhum país está indo contra o outro, nenhuma religião está se opondo a outra, nenhuma pessoa está indo contra outra. O vírus tem a capacidade de afetar todos nós, e isso nos lembra que estamos todos no mesmo barco e que somos todos um.  

O coronavírus vai nos forçar a sermos mais flexíveis, e viver de maneira diferente, talvez por um período determinado ou para sempre.

De novo, isso é um boa notícia.

Quantos de nós vivemos nossas vidas no piloto automático, procurando segurança na nossa rotina e no conhecido, e seguindo o curso da vida sem questionar nossa felicidade verdadeira. 

Existe crescimento no meio do casos, na necessidade de conhecer o desconhecido e explorar o que é novo.

Com isso nós podemos nos libertar das nossas próprias crenças e medos criados pela nossa mente. Flexibilidade, adaptação e nossa habilidade de refazer nossos planos são lições valiosas que estamos aprendendo com o coronavírus. 

Em tempos como nunca visto antes, nós teremos que simplificar nossas vidas.

Durante essa pandemia, nós provavelmente não vamos conseguir depender das pessoas, empresas e organizações que estávamos acostumados. Por exemplo, se hospitais ficarem cheios, nós podemos ser mandados para casa sem tratamento. Se a indústria farmacêutica não conseguir produzir a demanda de remédios que precisamos, a gente pode não ter acesso aos medicamentos que achamos que precisamos. É tempo de depender de nós mesmos, não de uma maneira egoísta onde as pessoas brigam no mercado para conseguir comprar papel higiênico. É hora de confiar em nós mesmos, no nosso poder e força interior. 

Nossa sociedade ficou totalmente dependentes da medicina tradicional e da indústria farmacêutica, tanto que esquecemos que temos muito do poder de nos curar dentro de nós mesmos.

É tempo de perceber que somos mais poderosos do que imaginávamos, que nós somos os curandeiros de nós mesmos, que você é o criador da sua própria jornada de abundância nessa vida. Você tem o poder de se curar de doenças, tem o poder se proteger do mundo exterior e de viver sua própria vida.

Esse mundo ainda é regido por medo e escassez. Quando você escolhe ter pensamento de amor, e escolhe ver esse mundo e tudo que acontece nele com olhos de amor, você não apenas tem a habilidade de se curar mas você também se torna uma chama de luz para os outros. 

Onde existir escuridão e incertezas, escute o chamado pela consciência divina.

Seja luz, seja amor, seja a cura. Seja a transformação, seja a mudança. 

 

Texto inspirado na reflexão "Coronavirus - um chamado para a consciência" da terapeuta Nicole Bayliss - áudio disponível em inglês no aplicativo Insight Timer 

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